Microbioma da pele: seu papel na acne e na hidradenite supurativa

Na superfície da pele humana, existe um ecossistema dinâmico de microrganismos, conhecidos coletivamente como microbioma da pele, que interage continuamente com a barreira cutânea, regulando as respostas imunológicas e mantendo a saúde geral da pele.
Distúrbios nesse microbioma, ou disbiose, têm sido implicados em várias condições dermatológicas, incluindo acne vulgar e hidradenite supurativa (HS).
A acne, um distúrbio cutâneo comum caracterizado por comedões e lesões inflamatórias (pápulas, pústulas, nódulos), é fortemente influenciada pelos microbiomas da pele. Estudos recentes demonstraram que Cutibacterium acnes (C. acnes), uma bactéria comensal associada à acne e composta por 6 filotipos, induz disbiose devido à perda de diversidade em seus filotipos; há uma alta predominância do filotipo IA1 de C. acnes, que, além disso, desenvolve um perfil virulento. Outra bactéria comensal que desempenha um papel importante na acne é S. epidermidis.
Da mesma forma, a HS, uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada por abscessos e fístulas recorrentes, também tem sido associada a desequilíbrios microbianos. Na HS, a disbiose parece perturbar a homeostase normal da pele, potencialmente exacerbando o ciclo inflamatório e prejudicando a cicatrização. Além disso, o biofilme bacteriano parece desempenhar um papel crucial.
Pesquisas atuais sobre tratamentos baseados no microbioma e o potencial para abordagens personalizadas de cuidados com a pele estáo avançando e aguardamos novidades, especialmente no próximo Congresso Europeu de Dermatologia (EADV 09/2025 em Paris-França). Doenças autoimunes da pele com psoríase e dermatite atópica provavelmente poderáo se beneficiar dessas novas abordagens científicas.
